assopra.

05/09/2014

A cura.

Filed under: Textos — Dai @ 00:00

e um dia ela disse:
– promete, promete por todas as estrelas do céu, pelo infinito, por todas as gotas dos rios, das cachoeiras, dos oceanos, pelas folhas de todas as árvores, promete que a felicidade vai invadir nossos corações soprando brisa, alegria, leveza, sorrisos, sóis e luas de uma vez por todas, promete?
e ele, que entendia pouco dessa vida de respiração, dessa vida de sangue, de dor e lágrimas, dessa vida matéria, dessa vida dura mas tão contrastante com um planeta tão lindo; ele que sabia o segredo das estrelas, dos orvalhos, dos cheiros, guardião, chaveiro da cura, arqueiro e caçador da mata, ele, tão doce, verde, tão vibrante e leve, disse:
– vamos dançar? há tempos que te peço isso, menina. de coração para coração, porque não há diferença no amor. vamos dançar nas estrelas, vamos caminhar na lua, vamos girar com o vento. você me diz seu nome, eu te toco uma canção, te passo uma lição: o tempo de encontro se encontra com o tempo do encontro que é o tempo do encontro – porque os tempos se completam, mesmo que diferentes, ao se encontrarem nesses micro segundos de existência. os mundos se complementam mesmo que distantes, não há diferença no amor. vamos dançar?
e ela, enfim, disse sim.
e o tempo do encontro durou o tempo do encontro, que tempo? o da criação. o da arte. dançaram até as estrelas, voaram pelas matas desse planeta tão lindo, contaram estrelas, apreciaram o luar, sentiram o cheiro da terra molhada.
a cura se fez do momento presente, ah! que nome bonito esse! presente!
na hora da despedida, ela disse: me diz seu nome!
e ele disse: para que saber meu nome? eu estou em todos os lugares.
e se foi, de fininho, humildemente, na mesma leveza com que chegou e a convidou para dançar, como o vento.

ela? puxou o ar, sorriu e reabriu os olhos, transformada.

14/06/2014

O sopro.

Filed under: Textos — Dai @ 15:20

Existem inúmeras formas de se atravessar uma parede de concreto.
Você pode apenas imaginar.
Você pode romper, quebrar, abrir um buraco quebrando violentamente os tijolos. Pode se teletransportar no espaço/tempo. Ou estar em dois lugares ao mesmo tempo.
Pode dar as costas e ir embora.
E pode ou se tornar fumaça, ou liquido, ou/ou, e romper a barreira. Sinuosa e silenciosamente adentrar o outro. Partículas de ar, partículas do corpo, diluídas, como magia. Remexer o ar. Transmutar. Concreto versus fluidez.

Eu assopro.

21/04/2014

A transformação e suas peripécias.

Filed under: Textos — Dai @ 20:38

Passados os tempos da dor transcendental, aquela do abrir de asas, agora inicia-se a chama e suas reticências múltiplas. 

Os aprendizados apresentam um misto de suspiros, catarses, medos, memórias e otras cositas más. Devaneios, lembranças de infância-sonho, borboletas, rosa vermelho-branca, chaves douradas, palavras e assobios.

Furacão, tristezinhas, expectativas, desejos, planos e mel. Força, esteio, afecção, futuro?

O mar.

Segredos. Estrela, águas, luz.

Permitir-se versus esforçar-se. 

Tempo.

Observação, carinho, saudades e lições.

Silêncio.

Uma mariposa adentrou a sala. Sua cor é branca.

 

 

09/03/2014

A mudança.

Filed under: Textos — Dai @ 02:48

Reparo que as transformações se seguem há um tempo.

Porém, as asas agora chegaram, abriram-se e batem desesperada e docemente.

O vôo é inevitável, até mais, é desejoso, explosivo, perigoso e maravilhoso.

Palavra chave: embevecida. Palavra valise: inebriada.

A teoria é posta nua ao lado, crua e fria. A prática desmascara e grita com graves pulmões: EIS o tempo dos assassinos!

Ela queria brincar de. E de tanto sonhar, materializou. E disso abriu-se o caminho, a chave destrancou a fechadura da qual apenas espiava, deslumbrando-se, vislumbrando. Ela tomou seu curso, para não mais voltar. O caminho não tinha voltas para trás. No reino das maravilhas, adentrou para ir além. A lógica se reestrutura, inverte-se, os pilares se liquefazem em areia, os monstros metamorfoseiam-se em estrelas, cores, cristais, pétalas, uivos e sibilos.

O único fio de segurança que reluz é a voz que sempre a acompanha, pois não, ela nunca está sozinha.

01/09/2013

A arte ditada pelo dedo de Deus.

Filed under: Textos — Dai @ 17:47

Dedo de Deus. Dedinho, dedão. Teias.

O novo.

O novo homem. 

Escrever sobre o ovo com mãos de princesa.

Teias.

Tetas.

O-bri-ga-da.

Abençoa, senhor.

Teias.

Chocalhos imaginários.

Merci.

Yes!

Agora volta, dá um passinho, dá dois passinhos e vai, vai, vai. Devagar, devagarinho.

Ouvir, amar, cantar, voar.

“Não indagar do mistério para não trair o milagre”

 

 

19/08/2013

A nova tarefa.

Filed under: Textos — Dai @ 23:16

Acreditar em, ao menos, seis coisas impossíveis antes do café da manhã. 

27/05/2013

O atravessamento.

Filed under: Textos — Dai @ 11:01

Pega meu coração e torce e pula e torce e pula.
Encantamento.

23/04/2013

O dia do Santo.

Filed under: Textos — Dai @ 01:36

Pedido: verdade, justiça, lealdade e coragem.

verdade, justiça, lealdade e coragem.

verdade, justiça, lealdade e coragem.

 

amém.

04/01/2013

O filme.

Filed under: Textos — Dai @ 11:34

“Sempre achei que 27 anos era uma idade especial. A tal idade do Rock. Sempre achei bonito fazer 27 anos. Sempre esperei por essa idade.

E é com muita alegria (mas muita mesmo) que hoje, fazendo 27 anos – a tão sonhada idade especial, que dou vida a meu filme.
É um trabalho que penso, crio, vomito, sonho e transformo com muita ajuda, de muitos amigos, parentes e mestres há exatamente um ano e meio.
Da dor e da delícia de se ser o que se é. Do dia do meu nascimento ao meu pacto com a minha arte. Uma sincera homenagem a todos aqueles que passaram, direta ou indiretamente, pela minha paixão – desde a infância até aqui. Àqueles que dividem comigo o tamanho sofrimento e o tamanho privilégio que é sonhar em ser artista.
Àqueles que nem isso podem fazer.
E a todos os que sonham.

A todos os que sonham.”

22/06/2012

Em busca da “Igreja da Descoberta de Si” (Pobre) – parte 3.

Filed under: Textos — Dai @ 00:03

A continuação do encontro. Daquele encontro.

Ah, como as coisas demoram a acontecer.

Demoram?

Talvez não.

A casa com quatro cantos.

Rosa vermelha a São Jorge (comprada por mamãe).

Incenso.

Dois salmos.

Pedido e pá! Palma para cima.

Chegou. É amanhã. É depois de amanhã.

Álvaro de Campos.

Pessoa.

Lágrimas.

Vermelho.

Cacá.

São Paulo.

E o incessante registro que insiste em se registrar.

Ok. Espada, escudo e cavalo “a postos”.

É uma pena que a viação não aceite o Yorick.

Luz.

30/05/2012

O aprendizado.

Filed under: Textos — Dai @ 23:02

Coragem, coração.

24/05/2012

A menina séria.

Filed under: Textos — Dai @ 14:18

ATRÁS DOS OLHOS DAS MENINAS SÉRIAS

Mas poderei dizer-vos que elas ousam? Ou vão, por
injunções muito mais sérias, lustrar pecados que
jamais repousam?

 

– Ana C.

21/04/2012

O outro lado do rio.

Filed under: Textos — Dai @ 15:51

Para minha grande surpresa, ontem encontrei com meu personagem no metrô – meu personagem fetiche, aquele aguardado e desejado e intuído há tanto tempo e que agora, finalmente, deve vir a tona.

E nessa de vir a tona, justo agora, eu esbarro com ele assim. 

Olhei fixamente para aquela menina e tentei sugar todos aqueles trejeitos desengonçados e tão familiares dentro no meu imaginário, e que, inacreditavelmente, estavam ali, vivos, existentes, bem na minha frente. Ela veio até mim e eu há tanto esperando por ela. Ou melhor, por ele. Ou por ela, não sei.

Nesse mesmo dia, reencontrei um mestre. E no meio de todo esse acúmulo de coincidências, o maior ensinamento que este mesmo mestre me deixou há um tempo atrás foi: não existem casualidades.

Minha vã filosofia jamais imaginou tamanho encontro em um só dia entre esse céu e essa terra.

 

“Expliquei então meus sofismas mágicos pela alucinação das palavras!…
Acabei por considerar sagrada a desordem da minha inteligência.” – Arthur Rimbaud.

22/03/2012

Os dois verbos.

Filed under: Textos — Dai @ 04:13

Duvide.

Acredite.

01/01/2012

A “última” postagem do ano.

Filed under: Textos — Dai @ 18:52

Antes que o ano que acabou acabe de vez:

– a melhor peça assistida: O Idiota – Uma Novela Teatral, direção: Cibele Forjaz / motivo: fora todos esse motivos comuns a todos que gostam de uma peça de teatro, porque era mesmo Teatro, com letra maiúscula – sensorialmente; magicamente.

– o melhor filme assistido: Cría Cuervos, de Carlos Saura. /motivo: (mesmo que seja bem mais antigo que o ano que passou, foi nele que assisti) angústia, nostalgia, identificação, sorrisos, imagens guardadas e eternas, tempo, dor, alegria, reflexão, sentimento. Obra de arte, absolutamente.

 

02/12/2011

O reconhecimento de um clico.

Filed under: Imagens,Textos — Dai @ 16:28

Há alguns dias atrás –  “Hoje o mundo sorriu para mim.”

Há mais dias atrás – “Ouvir Chopin ao lado de sua estátua por um acaso completo foi um presente inesquecível.”

 

Hoje. Mais um fim. E mais um começo. Bem como seu reconhecimento brutal e sublime. Muitas coisas mudaram – a maioria delas. Muitas outras se transformaram.

E algumas, nem uma coisa, nem outra. Permanecem e ficam, mostram-se e escondem-se.

Itens:

– força;

– fé;

– sonhos;

– verdade.

 

 

Vamos falhar melhor da próxima vez?

Sim, por que não?

 

18/11/2011

A frase.

Filed under: Textos — Dai @ 14:10

Mira na estrela e assopra.

 

 

17/11/2011

A Stradivarius dele.

Filed under: Imagens — Dai @ 03:25

A insônia.

Filed under: Textos — Dai @ 03:09

Sinto falta daquilo que nem sei o que é.

Como chocolate.

Mastigo um bocejo e relembro fatos passados.

Poderia passar horas a fio só brincando de remexer na memória. Não poderia?

Talvez.

Você gosta de ser atriz? – perguntou-se ela, há um tempo atrás.

“É bom possuir.” – disse Dona Clarice.

E por aí vai…

Mais uma madrugada.

Mais uma.

 

06/11/2011

a contagem regressiva e seus percalços, dia e noite, noite e dia.

Filed under: Textos — Dai @ 16:40

First.

“Have you not done tormenting me with your accursed time! It’s abominable! When! When! One day, is that not enough for you, one day he went dumb, one day I went blind, one day we’ll go deaf, one day we were born, one day we shall die, the same day, the same second, is that not enough for you? They give birth astride of a grave, the light gleams an instant, then it’s night once more. ” – Pozzo.

 

Second.

“Ah well, what matter, that’s what I always say, it will have been a happy day after all, another happy day.” – Winnie.

 

– Sam B.

 

31/10/2011

A música.

Filed under: Imagens,Textos — Dai @ 19:16

E quando eu pensava que tudo tinha se perdido, fiz um pedido e ele foi atendido.

 

Finalmente encontrei a música dela, a minha estrela.

 

 

29/10/2011

O retorno. (eterno?)

Filed under: Imagens,Textos — Dai @ 14:29

(Senti saudade disso aqui. Agora entrar aqui já não me é mais tão difícil quanto antes. Acho que começou a ser divertido.)

 

Essa noite eu tive um sonho – antes, é preciso dizer que ando lendo Jung, O homem e seus símbolos.

No sonho eu andava em cima de um elástico, fazendo parte de uma fila de pessoas. O elástico era branco e muito extenso.  Ele ia de um lado de um vale profundo até o outro, onde haviam, certamente, milhares de quilômetros de extensão. Eu sentia que a escolha de atravessar o longo vale tinha sido minha e que tudo não passava de uma brincadeira, um jogo, algo parecido com aquilo que conhecemos como “esporte radical”. Além do elástico em que pisávamos, havia outro, na altura do peito, em que podíamos segurar. Isso me dava segurança e sustentação, no início. O vale era muito bonito, verde, cheio de árvores e montanhas, natureza, fresco e com aquele ar da manhã, uma leve névoa, que dava um ar poético e pitoresco. Quando eu olhava para baixo, percebia que não era possível enxergar o chão e isso me dava a ideia de que o elástico estava preso a uma altura tamanha, a mais de mil metros do chão. Na medida em que eu avançava no elástico, começava a pensar mais e mais no que aconteceria se eu caísse – cada vez mais a certeza de que eu morreria era maior, caso perdesse o equílibrio e não conseguisse segurar com força o elástico na altura do peito. Mas ao mesmo tempo eu sabia que era muito simples: era só não me desesperar, não perder a calma e a concentração, não soltar o elástico e continuar caminhando que tudo ficaria bem, ou seja, eu sabia que se mantivesse a calma e a tranquilidade, e até a descontração da brincadeira, do jogo, eu conseguiria atravessar tantos metros e chegaria do outro lado do vale. Em um certo momento, muito embora eu tivesse toda essa consciência, comecei a me desesperar a tal ponto de me arrepender de ter decidido entrar naquele jogo, de resolver atravessar o vale no elástico, comecei a pensar, na verdade, que tinha sido uma ideia muito idiota. A ter certeza de que eu cairia, perderia o controle, o equilíbrio, e mergulharia naquele vale profundo para nunca mais voltar. O meu desespero começou a tomar proporções tamanhas que eu realmente comecei a me desequilibrar, a dançar com o elástico para lá e para cá. De repente, no meio dessa confusão de sensações, eu fixei meu olhar num ponto específico do vale, ao longe, em uma das montanhas que o cercavam e vi, ao longe, um grupo de pessoas que pareciam estar fazendo uma encenação. Somente entre elas, sem público ou qualquer artifício, algo como um jogo, uma brincadeira, um ritual particular pertencente àquele momento, àquela simples reunião de pessoas. Minha atenção voltou-se totalmente àquilo. Esqueci meu medo, meu risco de cair, meu desespero. E fiquei um tempo parada, segurando o elástico e contemplando àquela divertida visão tão inusitada e particular. Depois de um curto período de tempo, percebi que precisava continuar andando. Que haviam pessoas esperando atrás de mim para dar continuidade ao trajeto. Redobrei minha atenção e segurança e segui o caminho no elástico.

 

Acordei logo após o sonho e pensei, preciso me lembrar deste sonho amanhã.

Acordei hoje e me lembrei, revivi ele algumas vezes, deixei imagens, afetos e sensações povoarem meu espiríto enquanto lembrava, sem me preocupar em fixar significados, explicações, nada. Vieram muitas coisas, e, agora, escrevendo, mais uma porção delas. Algumas lembranças esquecidas há muito. Alguns momentos sempre lembrados e contados.

E o teatro, obviamente.

Em uma oficina com a Juliana Carneiro da Cunha, ouvi a mais bonita descrição do que era teatro. A própria Juliana comparou a ato de fazer teatro com o de pular em um precipício, em que, em primeiro lugar, ninguém te empurra, você que escolhe pular: e nesse pulo, que se faz todos os dias de peça, independente da quantidade de vezes que já se fez a peça, seu domínio e etc, a cada pulo, em cada dia de teatro, você pode cair ou voar.

É claro que entre as lembranças e afetos que surgiram com o sonho, já acordada, essa descrição foi uma delas.

 

E hoje, fuçando em pinturas de artistas que gosto muito na internet, entrei na página do Esao, que não entrava há muito. E sua pintura de entrada do site era essa:

 

Que coisa.

01/08/2010

As rugas.

Filed under: Imagens — Dai @ 03:50

Àquelas rugas que se fazem em períodos de “desfazeção” de: coisas/sentimentos/lembranças/passado/nós/angústias/…

Devo: respirar.

Objetivo: desapego total.

Meios: módulo 1 – moderado / módulo 2 – intenso.

Futuro (?) : 45 anos &  devir.

Adeus roda gigante.

"Worlds Fair"

22/05/2010

O clã.

Filed under: Textos — Dai @ 21:24

“(…) No ônibus, três de nós fizemos teste para a escola de teatro , no mesmo ano. Nenhum conseguiu passar. Agora, nós nos encontramos no palco, nos papéis centrais. Nosso malogro ficou para trás, muita coisa aconteceu desde então. Estamos sentados, lembrando. “Como você reagiu àquilo?”. “Consegue lembrar quem passou naquele ano?”. “O que você fez em seguida? Naquela noite? Nos meses seguintes?”. Rimos. Estamos felizes, juntos, pensando numa coisa que outrora nos magoou tanto.

(…)

Fiquei no corredor durante muito tempo até finalmente saber todos os nomes de cor. Alguns dos estudantes mais velhos passaram e me cumprimentaram com um aceno de cabeça. Depois, saí para a rua. Caminhei durante a noite inteira, traumatizada, com um pressentimento de que minha vida seria assim. Como as festas da escola de dança, em que as bem-sucedidas eram separadas das outras. Onde a perdedora, com um vestido cor-de-rosa, ficava chorando no toalete feminino. Nunca me ocorreu que devia haver vários perdedores aquele dia. Futuros colegas, a quem eu me encontraria, muito tempo depois, numa excursão de ônibus. E, em tom de brincadeira, comentaríamos os jovens que éramos outrora, rindo, distanciados. (…) No curto espaço de tempo de uma noite, tudo o que era habitual e familiar fora arrancado de mim, e eu estava no meio de uma transição.  Havia uma lição a ser tirada daquilo, algo difícil  de compreender: que carregamos conosco nosso destino e que o destino de cada um não depende desse tipo de fracasso ou sucesso. Tomar consciência disso é um longo processo, que inclui uma abertura ao sofrimento, encarando-o como parte da vida, do desenvolvimento, da mutação. Um ano em Oslo, do qual a lembrança mais nítida que sobrou foi a dos primeiros meses de solidão. Não ser suficientemente capaz, suficientemente talentosa, era a grande dor. Meses que pareciam intermináveis, sem nenhuma meta ou significado. Cuidadosamente registrados num diário azul que ainda tenho, escitro por uma jovem que viveu há muito tempo. Sofrimentos que não me lembro mais, alegrias já distantes de mim. Um apartamento com quatro metros quadrados. Dias sem estrutura. Longas noites cheias de pesadelos. Uma eternidade ebtre a hora de acordar de manhã e o sentimento de abandono, à noite. A biblioteca era o meu ponto de referência de todos os dias. Horas tomando notas precisas sobre o que eu lia.  Salas amplas e silenciosas. Um lugar para ficar, onde se integrar. (…) De vez em quando eu arranjava trabalho – pregar selos, endereçar envelopes, tudo o que conseguia arrumar. Nessas ocasiões, jantava todos os dias e escrevia para casa, dizendo que minha carreira teatral progredia maravilhosamente.”

-Liv. Mutações.

Não esperava que o intervalo entre ler isso e chorar, e ler isso e sorrir fosse ser tão curto.

27/03/2010

A continuação.

Filed under: Textos — Dai @ 06:50

Abrir isso aqui sempre dói. Engraçado.

Últimas:

– ”  – Você precisa comprar um guarda chuva.

– É. Mas eu não quero.”

ou.

– ” – Você precisa comprar um guarda chuva.

– Eu não gosto de guarda chuva.”

ou, ou.

Passados os tempos do guarda chuva… é o caos. Lutar para sobreviver todos os dias num céu em que só vejo pequenas estrelinhas brilharem de leve e rapidamente. E sumirem.

Era de se esperar que eu quisesse as estrelinhas que parecessem, na minha visão do que é certo, mais corretas.

Rs.

Mas o fato é que dessa vez, as estrelinhas vão, voltam, aparecem outras, somem, somem, reaparecem… e eu só sinto. Às vezes até tento segurar uma. Seu brilho. Mas só essa “simples” ação implica na própria perda. E novamente. E novamente.

O terceiro movimento da lua é insano. Maldito-bendito Beethoven. Gênio.

02/03/2010

Os dias.

Filed under: Textos — Dai @ 18:09

Voltou a chover.

07/02/2010

A volta.

Filed under: Textos — Dai @ 14:31

 

Só para constar: levo em minha bagagem mais algumas rugazinhas. Ótimo. 

Agora? Em busca do teatro impossível. Ou pelo menos o começo disso. Ou pelo menos.

Desistência: tornar-me vegetariana.

Novas:  carne orgânica/fim de ano verdadeiramente bom/as tais rugas/uma forçazinha a mais.

O presente de aniversário: Mutações. Liv Ullmann.

Aquisições: O teatro e seu duplo. Linguagem e vida. Artaud e o teatro. O teatro laboratório de Jerzy Grotowski.

Novo pequeno prazer recém descoberto: chocolate branco com café.

Leituras: O estrangeiro. O processo. E a Liv, claro.

Filmes: Vocês, os vivos. Revolutionary Road. Sinédoque, Nova York (novamente).

Descoberta: um silêncio num lugar completamente inesperado.

Redescoberta: o colégio estudado durante “toda a vida”.

Curso intensivo: cuidar de uma menininha de 7 anos.

Enfim. Ainda falta muita coisa. Mas algo começou. Ou mudou. Completamente.

E suportar a dor disso é tão ruim quanto sentir o prazer de superá-la.

25/12/2009

Aniversário.

Filed under: Imagens — Dai @ 23:17

The Hangover

19/12/2009

A viagem.

Filed under: Imagens — Dai @ 03:14

For Luck

10/12/2009

Em busca da “igreja da descoberta de si” (pobre) – parte 2. (cont.)

Filed under: Imagens — Dai @ 22:13

Você gosta de ser atriz?

Hum. (pausa.pausa.pausa.pausa.pausa.pausa.pausa.) Um pouco.

Tarefas: (mentalizando-e-vivenciando-minuto-a-minuto-barra-devir-barra-queavidapodeterminaraqualquerminuto-erecomeçaraqualquerminuto-tentando-mentalizar-minuto-a-minuto-e-reacender-a-chama-vírgula-a-motivação-vírgula-a-força-vírgulas-e-mais-palavras-de-intensidade-de-vontade-de-tentativa-de-tentativa-de-tentativa-de-falhar-de-falharmelhor-do-encontro-do-amor-da-necessidade-da-fixação-do-sufoco-até-assoprar.)

1) ver a entrevista da Clarice Lispector quantas vezes possível. (direito a pular as partes que pertecem ao programa / exceto a entrevista com a amiga-datilógrafa)

2) ouvir e observar as variações da “história do rexona” contada pela Helena quantas vezes possível.

3) tomar capuccino com chocolate da máquina de 1 real quantas vezes possível.

4) tomar a chuva incessante do Rio de Janeiro de Dezembro de 2009 quantas vezes possível.

5) relembrar do gosto da salada de frutas com muitas goiabas, muitos morangos, muitas uvas, muitas bananas,  muitos kiwis e com muito melado, quantas vezes possível. (direito à esperança de reproduzir.)

6) continuar a pensar sobre tornar-se vegetariana quantas vezes possível.

7) continuar a desejar que o tempo volte a parar, e a parar, e a parar quantas vezes possível.

Quantas vezes possível.

Você gosta de ser atriz?

É. Um pouco.  – pós tarefas.

Você gosta de ser atriz?

É. Um pouco. – pós tarefas.

E por aí vai.

Death by cake.

03/12/2009

Em busca da “igreja da descoberta de si” (pobre) – parte 1.

Filed under: Textos — Dai @ 23:33

Como começar isto? Ok.

(pausa para pensar)

Tenho a sensação de que qualquer palavra que eu use aqui vá diminuir demais qualquer parâmetro maior das questões “ativadas” durante toda essa semana. Mas vamos então ao registro. (já que foi para isso que criei, se é que posso usar esse verbo, este espaço.)

Acabei de colocar em questão a palavra, o verbo, a dimensão, do que se denomina criar. Aproveito, então, para colocar em xeque  também outras denominações (tenho consciência de que corro um certo risco ao fazer isto) brotadas, conceituadas, relatadas, ouvidas, absorvidas, intuídas, vivenciadas, ou na tentativa de, refletidas, trocadas…, enfim, e mais inúmeras palavras que quanto mais uso, mais idiota me sinto ao mesmo tempo que esvaziada da proporção tamanha que tudo isto me causa. O isto entrará em questão mais tarde. Ou não entrará nunca. Ou hoje. Ou agora.

As palavras… ok. Vamos às palavras.

tempo. espaço. ritmo. música. som. silêncio. presença. pulsão. pulsar. contato. coletivo. físico. plástico. esculpir. isolamentos. fluxo. passagem. palavra. memória. corpo. ação. coluna.

místico. morte. doença. observação. trocas. conversas. experiências. canto. vibração. análise. pessoas. encontros. palavras. si. eu. nós. gravação. mortalidade. países. culturas. movimentação. testemunhas. testadores. registro.

desprezo. amor.

“algo maior”.

vida.

segredo.

encontro. encontros. encontro (s).

Não sei justificar meu ato, esse de registrar essas palavras dessa forma . Não sei conceituar justificativas. Não sei. Não quero. Não me importa.

Posso dizer, com todo o respeito, que a vida é mesmo absurda. Passo a pensar que existe algo maior (para esclarecer um pouco mais refiro-me ao que Shakespeare chama de mais coisas entre o céu e a terra do que imagina nossa vã filosofia)  que não domino, nem ninguém, nem nunca se dominará. Posso dizer que esse algo é dificil. E precioso, ao que me parece. E importante. E fundamental. E pulsor, talvez. E resultante dessa tal coisa da qual chamamos de encontro.

Nunca imaginei chegar aonde cheguei, tanto em encontro com pessoas (e encontro deve alcançar o âmbito de conversas, trocas de conhecimento ou um simples programa praia-de-copacabana-num-sol-de-meio-dia)  quanto em pensamentos ou recebimento dessas informações, nesses meus últimos instantes de vida. Ao mesmo tempo penso no micro, no meu micro, penso que também nunca imaginei passar por determinadas questões íntimas da forma que tenho passado. Poderia ser cruel, no sentido vulgar da palavra, e me ater somente a parte profissional, sem entrar em méritos “íntimos”, porém tenho ouvido muito que meu corpo, eu, minha reação, meu modo, meu contato externo é na verdade toda a minha memória até aqui, ou se melhor preferir, minha vivência.

Deve valer de algo registrar no fim das contas. É o risco que se corre, no fim das contas.

Eu sou pouco. Se é que eu sou eu. Digo, eu, somente eu. Então livro-me da consciência de que nós somos pouco. Ou nada. E isso é muito. Muito mesmo. O muito mais poderoso possível. Pensando na vida. Na vida com V e com v. E no aqui. Aqui nesse mundo. Nesse pouco, nesse nada, nesse muito.

Não tenho frase hoje. Resta a questão: o que é isto?

26/11/2009

a segunda.

Filed under: Textos — Dai @ 01:30

Usei o feminino. Embora esteja em dúvida constante com relação a isso.

Existem algumas questões a serem explicadas:

1) interessa-me o empesteamento.

2) interessa-me o viver ( ou pelo menos o vivenciar, quando se trata de “arte”.)

3) interessa-me a caça.

À partir disso relato aqui minhas experiências como artista, ou pessoa,  ou ser humano, ou ou.

Acabo de começar a finalizar a primeira parte de mais um processo. Quando as coisas começaram a ficar claras ou, no mínimo, divertidas, chegou o fim. E agora a espera, a relutante espera, chega novamente.

Senti uma afinidade, se é que posso chamar assim, por um personagem em especial. Talvez por identificação. Talvez por amor. Talvez por provação. Talvez, talvez, talvez.

Não quero e nem devo, se é que há a regra, responder ou firmar um pensamento com relação a isso agora. O que posso fazer, além de esperar, é conversar comigo mesma e com ele, sim, o personagem. Na sua materialização textual. Tenho intenção também de investigar e pesquisar coisas, obras e pessoas que intuitivamente sinto se aproximarem desse possível objeto de estudo. (digo possível porque a única coisa que me liga a ele é a minha simples curiosidade e motivação, já colocada em questão; nada além disso)

Por enquanto é tudo. Ou apenas o que quero dizer até agora.

A frase que tenho perseguido:  “nada de símbolos  quando não se tem intenção disso” – de Samuel Beckett, Paris, 1945, Watt, pág. 297, tradução de Manuel Resende.

23/11/2009

início.

Filed under: Imagens — Dai @ 03:49

Harebindle

 

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