Como começar isto? Ok.
(pausa para pensar)
Tenho a sensação de que qualquer palavra que eu use aqui vá diminuir demais qualquer parâmetro maior das questões “ativadas” durante toda essa semana. Mas vamos então ao registro. (já que foi para isso que criei, se é que posso usar esse verbo, este espaço.)
Acabei de colocar em questão a palavra, o verbo, a dimensão, do que se denomina criar. Aproveito, então, para colocar em xeque também outras denominações (tenho consciência de que corro um certo risco ao fazer isto) brotadas, conceituadas, relatadas, ouvidas, absorvidas, intuídas, vivenciadas, ou na tentativa de, refletidas, trocadas…, enfim, e mais inúmeras palavras que quanto mais uso, mais idiota me sinto ao mesmo tempo que esvaziada da proporção tamanha que tudo isto me causa. O isto entrará em questão mais tarde. Ou não entrará nunca. Ou hoje. Ou agora.
As palavras… ok. Vamos às palavras.
tempo. espaço. ritmo. música. som. silêncio. presença. pulsão. pulsar. contato. coletivo. físico. plástico. esculpir. isolamentos. fluxo. passagem. palavra. memória. corpo. ação. coluna.
místico. morte. doença. observação. trocas. conversas. experiências. canto. vibração. análise. pessoas. encontros. palavras. si. eu. nós. gravação. mortalidade. países. culturas. movimentação. testemunhas. testadores. registro.
desprezo. amor.
“algo maior”.
vida.
segredo.
encontro. encontros. encontro (s).
Não sei justificar meu ato, esse de registrar essas palavras dessa forma . Não sei conceituar justificativas. Não sei. Não quero. Não me importa.
Posso dizer, com todo o respeito, que a vida é mesmo absurda. Passo a pensar que existe algo maior (para esclarecer um pouco mais refiro-me ao que Shakespeare chama de mais coisas entre o céu e a terra do que imagina nossa vã filosofia) que não domino, nem ninguém, nem nunca se dominará. Posso dizer que esse algo é dificil. E precioso, ao que me parece. E importante. E fundamental. E pulsor, talvez. E resultante dessa tal coisa da qual chamamos de encontro.
Nunca imaginei chegar aonde cheguei, tanto em encontro com pessoas (e encontro deve alcançar o âmbito de conversas, trocas de conhecimento ou um simples programa praia-de-copacabana-num-sol-de-meio-dia) quanto em pensamentos ou recebimento dessas informações, nesses meus últimos instantes de vida. Ao mesmo tempo penso no micro, no meu micro, penso que também nunca imaginei passar por determinadas questões íntimas da forma que tenho passado. Poderia ser cruel, no sentido vulgar da palavra, e me ater somente a parte profissional, sem entrar em méritos “íntimos”, porém tenho ouvido muito que meu corpo, eu, minha reação, meu modo, meu contato externo é na verdade toda a minha memória até aqui, ou se melhor preferir, minha vivência.
Deve valer de algo registrar no fim das contas. É o risco que se corre, no fim das contas.
Eu sou pouco. Se é que eu sou eu. Digo, eu, somente eu. Então livro-me da consciência de que nós somos pouco. Ou nada. E isso é muito. Muito mesmo. O muito mais poderoso possível. Pensando na vida. Na vida com V e com v. E no aqui. Aqui nesse mundo. Nesse pouco, nesse nada, nesse muito.
Não tenho frase hoje. Resta a questão: o que é isto?